You are here

Grandes empresas preferem mestres na hora de recrutar

O mestrado é essencial, mas as empresas também valorizam competências como a vontade de aprender.

1 - CGD: Aposta na proximidade com as melhores escolas

Capacidade de comunicação e de adaptação a novos contextos socio-profissionais,dinamismo e sentido de responsabilidade. São as quatro competências mais valorizadas pela Caixa Geral de Depósitos na hora de escolher os seus estagiários. O banco prefere candidatos com formação nas áreas de Economia, Finanças, Gestão, Contabilidade, Marketing, Informática de Gestão, Banca e Seguros e "tem privilegiado a proximidade com as melhores escolas superiores portuguesas, com vista a detectar, ainda durante o período de escolaridade, elementos com elevado potencial para a actividade bancária", afirma fonte oficial. As empresas tiveram que se adaptar a uma nova realidade, adianta a mesma fonte, já que o Processo de Bolonha trouxe a chegada ao mercado de trabalho de "pessoas mais novas e, potencialmente, com menor maturidade pessoal".

2 - EDP: Mestrados dão mais preparação e desenvolvimento pessoal

A EDP dá preferência aos candidatos com mestrado, "pela preparação académica e desenvolvimento pessoal que possibilitam aos candidatos", afirma fonte oficial da eléctrica, fazendo, contudo, questão de acrescentar: "também temos necessidades de perfis de licenciados para integrar algumas áreas de negócio". O recrutamento da EDP é feito nas diferentes universidades públicas ou privadas, "sendo o mais importante identificar jovens com potencial de desenvolvimento e com as competências técnicas e comportamentais que contribuem para o desenvolvimento " do negócio. Capacidade de trabalhar em equipa, abertura para aceitar desafios, iniciativa, proactividade e vontade de aprender, sem esquecer o foco nos resultados e a orientação para o cliente, são as características escolhidas pela eléctrica como as mais valorizadas nos candidatos.

3 - BES: Católica, Nova e Porto são as escolas de eleição

"Adaptabilidade, resiliência e humildade" são as qualidades que o BES priveligia quando procura recém-licenciados para os seus quadros. O banco prefere, na hora de contratar, licenciados e metres da Universidade Católica, Universidade Nova e Faculdade de Economia do Porto, mas ressalva que a escolha recairá mais vezes sobre alguém "com um mestrado, uma vez que a preparação técnica e a maturidade são bastante superiores a um jovem apenas com licenciatura."

4 - PT: Mestres têm mais maturidade, atitude e conhecimento

"A nossa experiência tem demonstrado que a probabilidade de se encontrarem candidatos com o nível de maturidade, atitude e conhecimento exigidos pela PT é maior nos mestrados", afirma fonte oficial da operadora, que preeenche as suas cerca de 100 vagas, por ano, com jovens das mais diversas áreas de formação. Na escolha das universidades, a PT leva em consideração o corpo docente, o lugar nos ‘rankings' e a análise da tipologia de ex-alunos, que são actualmente ou já foram colaboradores da empresa. Procura instituições onde os conteúdos programáticos, como a tipologia de disciplinas ou a existência de trabalhos práticos, sejam adaptados aos temas específicos da PT. Na hora de recrutar, valoriza a atitude, ou seja a capacidade de análise e resolução de problemas, disciplina de trabalho, capacidade de trabalho em equipa, espírito de inovação, energia e motivação e o foco na excelência.

5 - Nestlé: Jovens com "licença para aprender"

"A Nestlé tem diversas parcerias e protocolos com Universidades de referência em Portugal. Habitualmente e pensando no histórico dos últimos anos, os jovens com Mestrado que recrutamos vêem maioritariamente da Universidade Nova, Católica, ISCTE, ISEG, FEUP e Universidade de Aveiro", destaca Ana Gomes, directora de recursos humanos na Nestlé. A empresa "procura jovens dinâmicos e proactivos, com gosto pela aprendizagem contínua e pela execução, humildade para aprender, curiosos, empenhados, com gosto por desafios e pelo relacionamento baseado na confiança e respeito pelos outros". Ana Gomes sublinha que "com boas bases académicas, acreditamos que os jovens possuem uma licença para aprender" e que " no nosso recrutamento o que pretendemos é encontrar a pessoa certa para o lugar certo".

6 - Jerónimo Martins: Candidatos com "capacidade de decisão"

"É objectivo da Jerónimo Martins atrair os melhores alunos das melhores universidades do País e, como tal, procuramos jovens de universidades de referência, quer em Portugal, quer na Polónia", explica Marta Maia, ‘chief human resources officers' do Grupo Jerónimo Martins. Em Portugal, a empresa recebe muitos alunos da Universidade Católica Portuguesa, Universidade Nova de Lisboa, ISEG e ISCTE, bem como alunos da Universidade Técnica: Instituto Superior de Agronomia, Instituto Superior Técnico e Faculdade de Medicina Veterinária. Marta Maia adianta também que a Jerónimo Martins valoriza jovens que demonstrem uma forte "capacidade de decisão, a orientação para os resultados e a flexibilidade, bem como a adaptação a situações de mudança".

7 - CISCO: Em busca de jovens desafiantes e inovadores

"Capacidade de gestão de tempo, vontade de aprender e inovar, estudar novos conceitos, e desempenhar uma variedade de funções no dia-a-dia e ser proactivo/a. No limite, ser inquieto, desafiador e inovador dos paradigmas actuais". Andreia Rangel, directora da Cisco define assim as competências preferidas na hora de contratar. Para a empresa tecnológica não é determinante ter mestrado, mas sim a flexibilidade e abertura do profissional para aprender novas formas de trabalho e ser criativo; ter boa capacidade de comunicar e interagir com pessoas e ter boa capacidade de multi-tasking". Embora não tenham parceria, tem uma relação priveligiada com o ISCTE e a Universidade de Lisboa. Para além disso tem recebido muitos jovens da Universidade de Aveiro, Faculdade de Engenharia do Porto e Instituto Superior Técnico.

8 - Galp: Aposta nos mestres pela experiência e maturidade

"A captação de jovens de excelência" é um "imperativo" para a Galp. Por isso, a empresa selecciona os seus candidatos, "entre os melhores alunos das nossas universidades de referência", procurando jovens que devem ter "um sólido percurso académico e de vivências pessoais, ser proactivos e dotados de curiosidade intelectual". A Galp assegura que "de uma forma geral conhecemos e acreditamos na qualidade do ensino ministrado nas nossas universidades, não sendo nossa preocupação avaliá-las, mas trabalhar construtivamente com todas". E prefere admnitir mestres, já que "não estamos apenas a optar pelos que nos garantem conhecimentos teóricos mais consolidados, mas igualmente pelos que possuem uma maturidade e uma capacidade de opção profissional superiores", declara a Galp.

9 - Sonae: Capacidade de aprender é mais importante que o grau

Mais do que discriminar os candidatos logo à entrada por terem ou não mestrados, a Sonae acredita que cada aluno deve ser avaliado pelo conjunto das suas competências."A nossa convicção é de que cada função é uma função, com exigências próprias ao nível da maturidade e profundidade do conhecimento técnico", explica Ana Cristina Fonseca, directora de recursos humanos da Sonae. "Por outro lado, a aprendizagem contínua e ‘on the job' faz parte da realidade Sonae e determina que a disponibilidade para a novidade seja um elemento mais importante que a classificação da educação formal", defende. Assim, a Sonae procura, acima de tudo, "o potencial de um recém-mestre para ser orientado para os resultados, proactivo, conhecedor do negócio, capaz de aprender, pragmático, agente de mudança e bom gestor de equipa", aponta.

10 - Santander Totta: Procuram-se jovens dinâmicos e entusiasmados

"Consideramos que os jovens mais bem preparados para entrar no mercado de trabalho são os que têm boas competências como comunicadores (saber expressar-se numa reunião, saber expor uma ideia ou uma opinião, saber ouvir activamente os outros), boas competências em pelo menos 2 línguas (melhor se tiverem 3...), que trazem um raciocínio numérico bem desenvolvido e uma postura naturalmente comercial". Isabel Viegas, directora de recursos humanos do Santander define assim as competências mais valorizadas na hora de contratar. Para além disso devem " ser dinâmicos, entusiasmados (com brilho nos olhos, como eu digo muitas vezes), terem abertura e gosto por aprender, vir com boas competências relacionais e mostrar saber trabalhar em equipa". Tanto os licenciados como os mestres tem lugar no Santander-Totta.

Madalena Queirós, Andrea Duarte, Carla Castro e Pedro Quedas

Trabalho publicado na edição de 27 de fevereiro de 2012 do Diário Económico

2012.03.13

início contactos RSS Feed última actualização: 25-Mai-2017 partilhar facebook
Drupal theme by pixeljets.com D7 ver.1.1